CASO LUSSATY NÃO ENSINOU NADA: “AGORA OS MORTOS E CIVIS TAMBÉM RECEBEM RIOS DE SALÁRIOS NAS FAA COM CONIVÊNCIA DE ALTAS PATENTES”

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A nota negativa da semana vai para o mais novo orgulho nacional, o batalhão dos trabalhadores mortos  das Forças Armadas Angolanas (FAA), colocados no Estado Maior General, particularmente na Direcção Principal de Pessoal e Quadros (DPPQ).

Num país normal, morrer significa parar de trabalhar. Em Angola, pelos vistos, significa promoção automática para a folha salarial eterna.

Depois do caso  Lussaty, esperava-se tolerância zero à fraude, esperava-se vigilância redobrada, esperava-se que qualquer movimentação suspeita fosse imediatamente detectada. Mas, o que se nota nas FAA é que não é bem assim.

Cortaram um membro da serpente, mas a roubalheira continua numa das zonas mais sensíveis do País, que é justamente as Forças Armadas, onde se esperava algum patriotismo e disciplina.

Para variar, surgem agora militares fantasmas, e são vários  batalhões, mortos assalariados, salários duplicados e milhões de kwanzas a evaporarem-se dos cofres do Estado e ninguém diz absolutamente nada!!! Silêncio total.

Os mortos continuam firmes, pontuais, patrióticos e, como se não bastasse, comprometidos com a pátria. Recebem salários todos os meses e alguns talvez até tenham melhor assiduidade do que certos dirigentes vivos. Os reformados vivos fazem prova de vida, mas mortos não precisam.

Todos os meses, milhares de militares e reformados são obrigados a aparecer fisicamente para provar que ainda respiram. Dito de outro modo, suportam filas, humilhação, cansaço e gastos de transporte. Alguns já estão  debilitados, outros estão quase sem forças para andar, tudo porque o sistema precisa “confirmar” que continuam vivos. Bonito.

Enquanto isso, cadáveres e civis recebem salários tranquilamente dentro do sistema. Sem filas, sem impressão digital, sem BI. Em suma, sem prova de vida e stress. O morto virou funcionário modelo do Estado.

Tudo começou quando uma auditoria às Forças Armadas Angolanas (FAA) decidiu fazer aquilo que devia ser rotina em qualquer instituição séria, isto é, comparar o que estava nos registos com aquilo que existia na realidade. O resultado foi assustador.

A auditoria detectou milhares de efectivos sem confirmação física, militares falecidos que continuavam a constar das folhas salariais, reformados e reservistas ainda activos no sistema de remuneração, possíveis duplicações de salários e indícios de manipulação de dados administrativos e financeiros, com a alguma conivência do nosso “afamado” Ministério das Finanças que é somente o antro de toda maquiagem do nosso Kwanza.

Ou seja, há pessoas  a receber sem existir, militares a receber depois de morrer e efectivos  a receber duas vezes. Tudo isto à custa do contribuinte nacional.

Aparentemente, nas FAA há soldados tão secretos que nem existem fisicamente. Talvez seja uma nova estratégia militar, isto é, guerra espiritual. A auditoria encontrou milhares de efectivos fantasmas. Salários duplicados, bilhetes repetidos, militares falecidos ainda activos no sistema, além de reformados desviados das próprias pensões. Trata-se, nosso ver, de uma maravilha tecnológica.

O dinheiro desaparecia – desaparece- com uma fluidez impressionante, isto é, mais rápido do que combustível num gerador público. Depois aparecem certos oficiais com carros luxuosos, casas milionárias e vida de magnatas.

O detalhe mais ofensivo é que os vivos continuam a sofrer, uma vez que reformados passam meses sem receber. Há viúvas desesperadas, famílias abandonadas e militares honestos a contar moedas. Os mortos, por sua vez, seguem tranquilos.A cereja no topo do bolo é perceber que tudo isto acontecia numa instituição onde disciplina, rigor e controlo deviam ser princípios sagrados.

O escândalo torna-se ainda mais revoltante quando se percebe que muitos militares honestos passam anos a servir o país em condições difíceis. Alguns em zonas complicadas, outros com salários miseráveis e muitos sem assistência digna. O problema em Angola é que a corrupção deixou de ser apenas crime e virou sistema operativo.

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