12 PROFESSORES QUASE MORTOS NO MUNICÍPIO DOS BUENGAS E ADMINISTRADOR PEDE QUE REGRESSEM AO TRABALHO

Na tarde de ontem (10), doze (12) professores foram brutalmente agredidos por populares na comuna do Cuilo Cambonzo, município de Nova Esperança (Buengas), dois dos quais ficando à beira da morte. Trata-se dos professores António Jorge (Kiziku/Stona) e Jorge Migidi, ambos colocados no colégio comunal do Cuilo Cambonzo.
Entre os doze professores vítimas de agressões: professor Bunga, Inock, Álvaro, Egildo, Baptista Sala, Dinho, João, André, Augusto e Arnaldo.
Tudo aconteceu quando o professor Migidi foi surpreendido por um grupo de jovens armados com paus e catanas, enquanto falava ao telefone. Os agressores abordaram-no e atingiram-no com um golpe na cabeça, deixando-o inconsciente. Mesmo desacordado, continuou a ser espancado. Ao julgarem que ele estava morto, os agressores colocaram-se em fuga. Algum tempo depois, o professor recuperou a consciência e conseguiu reconhecer um dos envolvidos no ataque e o bateu.
Em seguida, os populares voltaram-se contra ele, obrigando-o a refugiar-se numa mata para escapar à fúria da multidão. Posteriormente, os mesmos populares dirigiram-se contra o outro professor, António Jorge, atacando-o com paus e catanas. Foi violentamente agredido, ficando gravemente ferido e escapando da morte por muito pouco.
Para salvar a própria vida, António Jorge também teve de fugir para a mata, apresentando ferimentos em várias partes do corpo.
A sua residência foi vandalizada. Panelas foram destruídas, pratos quebrados e diversos outros bens danificados.
Segundo informações recolhidas, a origem do conflito está relacionada com uma intervenção do professor António Jorge numa disputa entre alunos, motivada pela acusação de furto de uma camisola. Na ocasião, um grupo de jovens preparava-se para agredir mortalmente um rapaz que teria comprado a referida peça de roupa.
Os professores apresentaram queixa junto da Polícia Nacional, na sede do município.
Entretanto, o Administrador Municipal, Faustino Nguange Simão, está a pedir que os professores regressem ao trabalho, apesar dos ferimentos sofridos e dos riscos que ainda correm caso regressem à localidade.
A minha total solidariedade para com os professores vítimas destas agressões. Espero que as autoridades competentes responsabilizem os autores destes actos e garantam a segurança dos docentes.
