LUÍS NUNES E MANUEL NUNES JÚNIOR SOB SUSPEITA DE GESTÃO DANOSA CORRUPÇÃO E FAVORECIMENTO AS SUAS EMPRESAS

A dimensão dos números não deixa margem para ambiguidades: entre 2021 e 2024, durante o consulado de Luís Nunes na província, foi aprovado um pacote financeiro global estimado em 1,218 mil milhões de dólares para mitigar riscos estruturais já identificados — com destaque para drenagem urbana, controlo de cheias e requalificação de infraestruturas críticas.
Entre os principais montantes autorizados destacam-se: 415 milhões de euros (aproximadamente 498 milhões USD) para obras costeiras e intervenções de emergência; 220 milhões de dólares para reabilitação do sistema de abastecimento de água em Benguela, Lobito, Catumbela e Baía-Farta; além de contratos adicionais de grande escala no sector das obras públicas.
Apesar disso, o cenário actual revela uma realidade inquietante: as obras não produziram impacto proporcional aos valores investidos.
Luís Manuel da Fonseca Nunes liderou a província no período em que estes financiamentos foram aprovados e, em teoria, executados. Com experiência no sector empresarial e na construção, a expectativa era de uma governação orientada para resultados concretos.
Contudo, o que emerge hoje é um padrão de investimento sem retorno visível, levantando dúvidas sérias sobre: execução efectiva das obras; qualidade dos projectos implementados, transparência na adjudicação de contratos. A ausência de resultados tangíveis perante valores desta magnitude alimenta suspeitas que vão além da incompetência.
Ao assumir funções em Outubro de 2024, Manuel Nunes Júnior herdou uma província com financiamento assegurado, projectos definidos e riscos oficialmente reconhecidos. Ainda assim, em 2026, Benguela enfrenta um desastre que já tinha sido previsto e financiado para ser evitado.
A continuidade do problema sob a sua liderança levanta uma questão crítica: houve falha na execução herdada ou perpetuação de um modelo de gestão ineficaz — ou pior, permissivo a irregularidades?
A discrepância entre os montantes aprovados e a realidade no terreno aponta para possíveis enquadramentos legais graves, entre eles: gestão danosa de fundos públicos; desvio ou má aplicação de recursos financeiros; falta deliberada de fiscalização eficaz; e eventuais práticas irregulares na contratação pública.
Num contexto onde existem decisões presidenciais, financiamento garantido e estruturas de execução definidas, a ausência de resultados deixa de ser um acidente administrativo.
Após o desastre, o Executivo mobilizou 30 mil milhões de kwanzas para mitigar os efeitos das cheias. Mas este movimento levanta uma contradição evidente:
como se justifica a urgência pós-desastre, quando mais de mil milhões de dólares já tinham sido disponibilizados precisamente para evitar este cenário?
A resposta parece residir num padrão recorrente da governação pública: agir apenas quando o dano já está consumado.
Enquanto os números circulam em relatórios e despachos, a realidade em Benguela é marcada por destruição, perdas materiais e agravamento das condições de vida.
O contraste não poderia ser mais claro: mais de 1,2 mil milhões de dólares aprovados e impacto praticamente inexistente na prevenção do desastre.
A magnitude dos valores e a gravidade das consequências colocam no centro do debate não apenas a eficiência da governação, mas a sua legalidade. Porque quando há dinheiro, planeamento e instituições — mas não há resultados —
a falha deixa de ser técnica e passa a ser potencialmente criminal.
E, neste contexto, os nomes de Luís Manuel da Fonseca Nunes e Manuel Nunes Júnior emergem como figuras incontornáveis num caso que exige mais do que explicações políticas: exige investigação rigorosa e responsabilização efectiva pela Inspecção Geral da Administração do Estado (IGAE) e Procuradoria Geral da República (PGR).
