COMPRA DO FERRY TCHIOWA POR MAIS DE 13 MILHÕES DE DÓLARES LEVANTA SUSPEITAS DE SOBREFACTURAÇÃO

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 A aquisição da embarcação Tchiowa, destinada ao transporte marítimo em Angola, está a levantar questões sobre a transparência na utilização dos recursos públicos. Uma investigação conduzida pelo Lil Pasta News aponta para possíveis discrepâncias entre o valor alegadamente pago pelo Estado angolano e os preços de embarcações disponíveis no mercado internacional.

PORTAL O LADRÃO

Segundo informações recolhidas pelo Lil Pasta News, o ferry Tchiowa, que já teria operado durante vários anos na Grécia, foi adquirido por mais de 13 milhões de dólares, valor atribuído a informações prestadas pelo ministro dos Transportes, Ricardo de Abreu.

O montante levanta dúvidas quando comparado com referências de preços identificadas no mercado brasileiro. De acordo com o levantamento realizado pelo Lil Pasta News, existem embarcações novas, alegadamente com capacidade superior à do Tchiowa, comercializadas por cerca de 24 milhões de reais, o equivalente aproximado a menos de cinco milhões de dólares.

Caso estes valores sejam confirmados e correspondam a embarcações com características técnicas comparáveis, a diferença poderá ultrapassar oito milhões de dólares.

Entretanto, a comparação exige esclarecimentos adicionais, uma vez que o preço de um ferry pode variar significativamente em função da capacidade de passageiros e carga, características técnicas, equipamentos, adaptações, transporte e outros custos incluídos no contrato.

A investigação levanta, por isso, questões sobre os critérios utilizados pelo Ministério dos Transportes para seleccionar a embarcação, determinar o preço de aquisição e avaliar a sua condição técnica antes da compra.

Ministério dos Transportes confirma investimento de 13,2 milhões de dólares

Num comunicado oficial divulgado a 25 de Setembro de 2026, o Ministério dos Transportes confirmou que o investimento na embarcação Tchiowa ultrapassou os 12 mil milhões de kwanzas, equivalentes a aproximadamente 13,2 milhões de dólares. O navio possui 93 metros de comprimento e capacidade para transportar até 430 passageiros, 168 viaturas ligeiras ou 26 camiões, dependendo da configuração operacional. 

Entretanto, uma informação divulgada pela Secil Marítima indica que a embarcação foi construída em 2025 e que o protocolo de entrega foi assinado na Grécia, a 4 de Maio de 2026. Esta informação não confirma a alegação de que o ferry já teria vários anos de utilização naquele país. 

Afinal, quem beneficiou deste negócio?

A principal questão levantada pelo Lil Pasta News é saber se os 13,2 milhões de dólares correspondem ao valor efectivamente pago pela embarcação ou se incluem outras despesas relacionadas com a aquisição, transporte, equipamentos, formação e entrada em funcionamento.

O levantamento apresentado pelo Lil Pasta News aponta para uma referência de 24 milhões de reais no Brasil, mas ainda não foram apresentados documentos comerciais e especificações técnicas que permitam confirmar uma comparação directa com o Tchiowa.

Perante estas dúvidas, importa esclarecer:

Qual foi o preço original da embarcação na Grécia?

Que empresa intermediou a aquisição e quem são os seus beneficiários?

Houve concurso público internacional ou contratação directa?

Existe uma avaliação técnica independente que justifique o investimento?

O Tribunal de Contas e a Inspecção-Geral da Administração do Estado tiveram acesso ao processo?

A população angolana tem o direito de conhecer os detalhes de um investimento público desta dimensão, sobretudo num contexto em que os recursos financeiros destinados aos serviços essenciais continuam a exigir uma gestão rigorosa.

O Lil Pasta News considera necessária a divulgação do contrato de aquisição, das facturas e dos documentos de avaliação da embarcação, de modo a esclarecer as suspeitas de sobrefacturação.

Até ao momento, os elementos consultados confirmam o investimento anunciado pelo Governo, mas não demonstram que tenha ocorrido desvio de dinheiro ou enriquecimento ilícito de qualquer interveniente.

A questão permanece: os 13,2 milhões de dólares investidos no Tchiowa correspondem ao seu custo real e aos serviços associados, ou existem valores que precisam de ser esclarecidos?

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