INSEGURANÇA E GRITO DE SOCORRO EM LUANDA: POPULAÇÃO DO HOJI-YA-HENDA EXIGE REFORÇO POLICIAL ANTE A ONDA DE ASSALTOS

Enquanto a liderança do Ministério do Interior promove acções de comunicação que parecem distantes da realidade diária do cidadão comum, a situação da segurança pública nos bairros de Luanda atinge níveis preocupantes.
MOREIRA MÁRIO
A população relata episódios diários de furtos, assaltos à mão armada e ameaças de morte, contradizendo os discursos oficiais da Polícia Nacional que apontam para uma suposta redução da criminalidade. Nas ruas, o sentimento é de abandono e o apelo por uma presença policial efectiva soa cada vez mais alto.
O cenário é especialmente dramático nas zonas compreendidas entre o ex-Calaboca e o Mercado dos Kwanzas, no município do Hoji-ya-Henda. O local transformou-se num verdadeiro cenário de terror para os moradores, devido aos constantes assaltos a residências e na via pública. A rotina de quem habita na região passou a ser marcada pelo medo permanente, afectando directamente o direito de ir e vir e a tranquilidade das famílias.
A vulnerabilidade é ainda maior para os trabalhadores que, de segunda-feira a sábado, precisam de sair de casa por volta das cinco da manhã. É precisamente no trajecto entre a residência e a paragem de táxi que o perigo se intensifica, já que os criminosos se posicionam em esquinas estratégicas à espera de vítimas vulneráveis. Moradores denunciam que os marginais actuam livremente a partir das quatro da manhã, aproveitando a total ausência de patrulhamento nesses horários críticos.
A disparidade entre a fiscalização nas vias principais e a segurança no interior dos bairros gera forte indignação na comunidade. “Todos os dias vemos tantos polícias a mandar parar carros nas estradas, mas nunca vemos patrulheiros a fazer vigilância nos bairros. Porquê?”, questiona um residente.
Além dos prejuízos materiais e do risco iminente à vida, a exposição constante à violência deixa marcas profundas e traumas psicológicos graves naqueles que são abordados na via pública.
Diante desta realidade sufocante, os moradores lançam um apelo urgente e incisivo à Polícia Nacional para que reestruture as suas operações.
O pedido central é que o policiamento ostensivo e preventivo deixe de estar concentrado apenas na regulação do trânsito e passe a proteger as comunidades nos momentos de maior vulnerabilidade. A restauração da ordem e da paz social nos bairros do Hoji-ya-Henda não é apenas uma exigência comunitária, mas um dever fundamental do Estado.
