DIAMANTINO DE AZEVEDO APRESENTA QUADRO SOMBRIO DOS COMBUSTÍVEIS NO PAÍS E LEVANTA DÚVIDAS SOBRE A TRANSPARÊNCIA DAS CONTAS DO GOVERNO

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O ministro de Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino de Azevedo, disse nesta quinta-feira (06), que há falta de combustível no país e a Sonangol, petrolífera estatal, tem dificuldades financeiras para cobrir os custos de importação, face aos actuais preços no mercado internacional.

Angola enfrenta constrangimentos e escassez de combustíveis devido a dificuldades financeiras da Sonangol problemas logísticos e subidas de preços no mercado internacional, segundo o titular da pasta dos Recursos Naturais, Petróleo e Gás.

De acordo com o governante, o peso dos subsídios e o custo de importação de derivados de petróleo têm pressionado a sustentabilidade financeira da Sonangol e as contas públicas face à volatilidade internacional.

As declarações de Diamantino de Azevedo foram recebidas com cepticismo pela sociedade, que antevê um anúncio velado de subida do preço dos combustíveis no país brevemente.

Os cidadãos não entendem a lógica apresentada pelo ministro, atendendo que, recentemente, foi largamente propalado que, com a entrada em funcionamento da Refinaria de Cabinda e ampliação da capacidade da Refinaria de Luanda, Angola estaria melhor servida e que a produção nacional já permitiu ao Estado angolano poupar cerca de mil milhões de dólares, por parte da Refinaria de Cabinda, em importações de derivados.

Pelo que tem sido anunciado, a Refinaria de Cabinda já fornece gasóleo para o consumo interno e exporta nafta e óleo combustível pesado (HFO) para mercados internacionais. A primeira fase da unidade processa cerca de 30 mil barris de petróleo bruto por dia.

Enquanto isso, a ampliação da capacidade da Refinaria de Luanda foi concretizada com a inauguração do novo complexo de produção de gasolina, que quadruplicou a fabricação diária do derivado de 395 mil para 1,58 milhão de litros, diminuindo em 15% os gastos anuais com a compra de combustíveis do exterior.

A Refinaria de Luanda gera agora uma economia de 300 milhões de dólares por ano para o Estado angolano, além de cobrir uma fatia maior da procura nacional de derivados de petróleo em condições de segurança operacional.

A tudo isso junta-se também o facto de o Governo angolano estar a encaixar, nos últimos dias,  os excedentes provenientes da subida do preço do barril de petróleo, que tem estado acima do previsto pelo Orçamento Geral do Estado  do corrente ano.

Apesar de tudo isso, Diamantino de Azevedo afirma que “estamos com uma crise, pouco combustível no país, há um aumento de consumo, há um aumento de preço no mercado internacional, há escassez”,  acrescentando que a Sonangol tem enfrentado problemas de liquidez para assegurar o abastecimento regular.

Especialistas consideram tal afirmação um paradoxo, considerando que, ainda há dias, na recém terminada FILDA (Feira Internacional de Luanda) a Sonangol conquistou, pelo terceiro ano consecutivo, o Grande Prémio Leão de Ouro do certame, distinção que reconhece a qualidade da participação da Empresa na maior plataforma de negócios de Angola. A Companhia recebeu ainda uma Menção Honrosa pelo contributo contínuo para o crescimento e valorização da feira.

Angola é um grande produtor de petróleo bruto, contudo o país continua fortemente dependente da importação de derivados refinados, apesar de possuir refinarias que já deveriam suprir as necessidades internas!

Assim sendo, é caso para dizer que está-se perante mais um  caso de falta de transparência das contas apresentadas pelo Governo.

A questão que não quer calar-se é: o que tem sido feito com os dinheiros dos excedentes do petróleo, da produção nacional e o de muitos outros recursos naturais que têm sido explorados à exaustão, mas não se declara os seus rendimentos!? Voltaremos ao assunto!

(Por: Jap Kamoxi)

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