ANGOLA TEM O SALÁRIO MÍNIMO MAIS BAIXO ENTRE OS LUSÓFONOS EM ÁFRICA

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O sindicalista Custódio Cupessala, líder da Federação Nacional dos Sindicatos da Administração Pública, Saúde e Serviços, que luta pelo fim das assimetrias salariais, diz que o Governo angolano não altera o quadro por falta de vontade e alerta para fraca produção de bens no país.

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“A maioria dos países africanos não tem recursos como Angola e a Comissão Económica do Conselho de Ministros prometeu fazer um estudo comparativo nesse sentido, mas até hoje não sabemos de nada”, afirma Cupessala.

Ele acrescenta que gostaria “que esse salário fosse aquele que dê para uma cesta básica, não basta mexer no salário, isso ainda pode agravar cada vez mais”.

Aquele sindicalista lembra que “neste momento o gasóleo subiu, tudo vai subir, por isso o Governo deve adoptar políticas para baixar os preços, depois faz qualquer alteração dos salários e o país vai andar bem”.

A seguir a Cabo Verde estão Moçambique, com 137 dólares, São Tomé, 107, e Guiné Bissau com um salário mínimo nacional equivalente a 80,6 dólares norte-americanos.

Um aumento para 100 mil kwanzas, cerca de 119 dólares, o limite do descontado feito pelas três centrais sindicais que declararam já duas greves, muito abaixo dos 240 mil kwanzas que conformam a base negocial, colocaria Angola na liderança do índice.

Mas o economista e agente comunitário Abílio Sanjaia, defensor de um Governo a optar pelo diálogo, diz que tudo isso em teoria, lembrando que a situação cambial de outrora daria a Angola um salário mínimo considerável.

“No caso em concreto … seriam 300 dólares, isso tem a ver com a inflação, o salário perdeu o poder de compra há vários anos”, afirma Sanjaia, concordando que “há necessidade de reajuste, e nesse ponto de vista os sindicatos têm toda a razão”.

“O Governo deve analisar a capacidade dos sectores público e privado”, sublinha aquele agente, quem adverte que “a palavra-chave para baixar a inflação … é a produção interna de bens e serviços, a cesta básica não deve depender do exterior”.

A inflação e os salários, sustenta o docente Alfredo Sapi, também economista, forçam as famílias a baixar o consumo, podendo ter reflexos no Índice de Desenvolvimento Humano

“Hoje, as variações dos preços, que são encaminhadas para a hiper-inflação, trarão consigo o aumento da pobreza extrema, não é bom em função do tipo da nossa economia”, comenta.

“Não será novidade, por exemplo, se o nosso IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] para 2024 piorar , a população está a consumir menos por causa do aperto financeiro, e as empresas também produzem menos”, vinca aquele especialista.

A propósito do 1 de maio, Dia Internacional do Trabalhador, o Governo angolano, em nota distribuída à imprensa, disse estar a preparar a aprovação, a curto prazo, do salário mínimo nacional, o que vai acontecer, salienta, à luz do Conselho Nacional de Concertação Social.

O Executivo reafirma o seu empenho na melhoria das condições laborais e sociais.

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