«MATARAM O DEPUTADO MONTEIRO ELISEU PARA FRAGILIZAR A UNITA»

A confirmação da morte do deputado Monteiro Eliseu no dia 29 de Março, num período em que os partidos políticos afinam as estratégias para as actividades de campanha eleitoral, levanta sérias preocupações para o Ministro da Administração Pública do Executivo Sombra da UNITA, que não descarta a possibilidade de envenenamento: “Queremos deixar aqui um alerta para o povo angolano, para dizer que a morte do deputado Monteiro Eliseu não foi natural. O povo angolano deve despertar, porque estamos a lidar com um regime muito matreiro”.
PORTAL O LADRÃO – F8
Anselmo Kondumula reconhece que, em vida, Monteiro Eliseu, enquanto deputado eleito pelo círculo provincial do Huambo, soube exercer as funções de fiscalizador dos actos administrativos públicos com ética e singularidade, pautando-se em factos nos seus argumentos.
“Soubemos há algum tempo que ele foi objecto de alguma coisa ilícita. Portanto, lamentamos, mas mais do que chorar o deputado Eliseu, nós temos que olhar para aquilo que ele fez e seguir como exemplo, por forma a honrarmos de forma conveniente o seu trabalho”, reconheceu.
O responsável expressa igualmente à família enlutada sentimentos de pesar: “Quero expressar os meus sentimentos à família enlutada. Dizer que é uma perda irreparável. É quase que um murro no estômago para o cidadão angolano, não só da UNITA, porque o deputado Monteiro Eliseu conduziu um trabalho de deputação sem igual, sem paralelo. De facto, cumpriu com a missão de um deputado. Ele conseguiu desafiar ditas ordens superiores e conseguia fazer um trabalho de fiscalização muito activo.”
“Os que morrem pela causa de todos nunca morrem. E o deputado Eliseu vai entrar na galeria dos heróis angolanos”, reforçou o Ministro da Administração Pública do Governo Sombra.
Kondumula adianta que inspira igualmente atenção o estado de saúde do deputado Liberty Chyaka, que cumpre cuidados médicos no exterior do país após as jornadas parlamentares em Muangai (Moxico): “O Chyaka, de facto, também está com alguns problemas de saúde, ao qual endereço os meus votos de rápidas melhoras”.
O membro do Executivo Sombra da UNITA acredita que a morte do deputado Monteiro Eliseu por alegado envenenamento tem por objectivo prejudicar o partido: “O partido é vítima desse jogo sujo e muito baixo. Quer dizer, o jogo não é democrático. Estamos a lidar com um regime desastroso, que não poupa meios para prejudicar. O partido vai se erguendo como se ergueu no momento em que tombou o velho Jonas Savimbi, o partido vai se erguendo como no momento em que tombou, em circunstâncias idênticas, o deputado Mussocola, o deputado Cassiqui, o general Kamorteiro. Todos esses estão a fazer um perfil de galeria dos heróis em Angola. Portanto, o partido sempre esteve em altura para poder se erguer”, tendo pedido aos militantes “muita vigilância e disciplina”.
De salientar que o Grupo Parlamentar da UNITA deu hoje abertura ao livro de condolências pela morte do deputado Monteiro Eliseu na província do Huambo.
