BLOCO DEMOCRÁTICO ATIRA-SE CONTRA A INDRA E ALERTA RISCOS NA CREDIBILIDADE DAS ELEIÇÕES DE 2027

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A Comissão Política do Bloco Democrático (BD) manifestou fortes reservas em relação à adjudicação do concurso público à empresa espanhola INDRA, responsável pela implementação da solução tecnológica que deverá ser utilizada nas eleições gerais previstas para 2027 em Angola.

A posição foi tornada pública no domingo, 15 de março, pelo presidente do partido, Filomeno Vieira Lopes, no final da reunião da Comissão Política realizada em Luanda. Em declarações aos jornalistas, o líder do BD considerou que a decisão levanta sérias preocupações quanto à credibilidade do futuro processo eleitoral.

Segundo Filomeno Vieira Lopes, o histórico da empresa no domínio da gestão tecnológica de processos eleitorais suscita dúvidas quanto à sua idoneidade. O dirigente afirmou que a escolha da INDRA representa “a consagração da fraude” nas próximas eleições, referindo-se ao que classificou como um “curriculum problemático” da empresa em diferentes contextos eleitorais.

O líder do BD recordou ainda que a empresa espanhola já esteve envolvida na componente tecnológica de vários processos eleitorais em Angola, nomeadamente nas eleições realizadas em 2008, 2012, 2017 e 2022. Na sua avaliação, essa participação não contribuiu para melhorar significativamente a eficiência, organização ou transparência do sistema eleitoral.

Para o partido, a repetição da contratação da mesma empresa ao longo de vários ciclos eleitorais levanta questões sobre a diversificação de fornecedores e sobre os critérios utilizados na contratação de soluções tecnológicas para um processo considerado fundamental para a consolidação da democracia.

Filomeno Vieira Lopes defendeu igualmente que os critérios aplicados na selecção das empresas concorrentes não parecem cumprir integralmente as exigências técnicas e administrativas previstas na legislação vigente.

As declarações surgem no contexto da primeira reunião da Comissão Política do Bloco Democrático em 2026, encontro no qual o partido definiu as suas principais orientações políticas internas e externas para o ano em curso e iniciou a preparação estratégica para os desafios políticos que antecedem as eleições gerais de 2027.

O BD não participou oficialmente nas eleições gerais de 2022. Na altura, alguns dos seus dirigentes e membros integraram as listas da UNITA no âmbito da Frente Patriótica Unida (FPU). Para o próximo ciclo eleitoral, o partido enfrenta desafios significativos, uma vez que a ausência no boletim de voto pode colocar em risco a sua continuidade formal enquanto partido político.

Fundado em 2010, o Bloco Democrático surgiu na sequência da extinção da Frente para a Democracia (FpD), que perdeu o estatuto legal após não ter alcançado o mínimo de 0,5% dos votos exigido por lei nas eleições legislativas de 2008.

Nos bastidores políticos, discute-se também a possibilidade de o BD evoluir para uma estrutura de movimento social, solução que permitiria manter a sua participação no espaço político da FPU e continuar a contribuir com quadros e dirigentes para listas eleitorais, nomeadamente no âmbito da UNITA, partido conhecido pelo símbolo do “Galo Negro”.

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