PRESIDENTE JOÃO LOURENÇO QUER MAIS VOZ DE MULHERES E JOVENS NOS PROCESSOS DE PAZ EM ÁFRICA

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O Presidente em exercício da União Africana (UA), o estadista angolano João Lourenço, defendeu a criação de mais espaço para as mulheres e jovens nos processos de resolução de conflitos em África, devido à sensibilidade que possuem sobre essas matérias.

João Lourenço apresentou a sugestão na mensagem endereçada ao continente por ocasião do Dia da Paz e da Reconciliação em África, que se assinala hoje, durante a 1.329ª reunião especial do Conselho de Paz e Segurança da UA, realizada, ontem, em Adis Abeba, Etiópia.

Para o Presidente em funções da UA, que ostenta, também, o título de Campeão da União Africana para a Paz e Reconciliação em África, a participação activa de mulheres e jovens nestes processos é determinante pela “grande” sensibilidade que possuem em relação às suas consequências e por serem, geralmente, as principais vítimas destes conflitos.

“É por isso essencial que se escutem as vozes das mulheres e dos jovens que têm muito a transmitir aos políticos, aos governantes e às sociedades africanas, de uma maneira geral, sobre a sua visão a respeito dos conflitos e sobre o seu papel na busca de soluções para estes problemas, para cujo efeito o nosso continente dispõe do Fórum Pan-Africano para a Cultura da Paz e Não Violência em África”, ressaltou o estadista angolano.

O líder em exercício da UA referiu que a comemoração da efeméride, que hoje se assinala, remete para a importância de um empenho maior na construção de uma África mais estável, pacífica, onde a paz e a reconciliação constituam prioridades a serem tidas, permanentemente, em conta, tal como está contemplada na Agenda 2063, que disse reflectir bem “a África que queremos”.

“Este dia não é apenas uma celebração, é um convite para reflectirmos sobre os desafios de paz e segurança que, infelizmente, persistem no nosso continente”, destacou. João Lourenço ressaltou que este exercício, que considerou introspecção profunda, traz à memória alguns dos eminentes precursores da liberdade e da independência de África, que souberam fazer a síntese do sentir do homem africano.

Entre eles, o estadista angolano destacou Nelson Mandela, cuja tese sobre a reconciliação não é uma forma de varrer a dor para debaixo do tapete, mas um esforço tangível para reparar as injustiças históricas. Outro nome realçado pelo Presidente João Lourenço foi o de Kwame Nkrumah, que defendeu a união como o elemento determinante que pode elevar o continente africano a uma das maiores forças para o bem no mundo.

Estas figuras notáveis, prosseguiu João Lourenço, deixaram ao continente a lição que deve ser retida, sempre, segundo a qual a paz e a reconciliação são, ao mesmo tempo, um dever moral e uma necessidade estratégica, que não se conseguirá realizar enquanto o continente continuar confrontado com desafios.

Entre os desafios, o estadista angolano sublinhou os golpes de Estado, terrorismo e o extremismo violento, os conflitos armados e as tensões comunitárias. Estes desafios, disse, põem em causa e condicionam, seriamente, os propósitos da construção do progresso, do desenvolvimento e do bem-estar de todos os africanos.

Apesar destes desafios, o Presidente em exercício da União Africana apelou à necessidade urgente de não se abdicar, nunca, dos propósitos de se continuar firme e mobilizado para transformar as vulnerabilidades em força, as divisões em unidade e as ameaças em oportunidades. O Presidente João Lourenço recordou que a União Africana dispõe dos mecanismos necessários para dar respostas adequadas e robustas às situações de crise, mas, para tal, disse ser necessário que o continente faça fluir os esforços e as atenções para um mesmo ponto.

O estadista angolano enfatizou que unidos e coesos fica mais fácil trabalhar para garantir a operacionalidade e a eficácia dos referidos mecanismos sempre que se tornar necessário fazê-los funcionar, para assegurar a estabilidade, a paz e a segurança, factores que, conjugadamente, concorrem para o relançamento das economias africanas e o desenvolvimento do continente.

“Minhas senhoras, meus senhores, a paz e a reconciliação em África serão conquistas mais duradouras sempre que se reforçar nas nossas sociedades a consciência sobre a relevância do entendimento entre todos”, acentuou.

Uma nota da Missão Permanente Junto da União Africana refere que o 31 de Janeiro foi declarado Dia de Paz e Reconciliação em África, por ocasião da 16.ª Sessão Extraordinária da Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana sobre o Terrorismo e as Mudanças Inconstitucionais de Governo, realizada, sob a proposta de Angola, a 28 de Maio de 2022, em Malabo, Guiné Equatorial. O documento acrescenta que a reunião de ontem reservou um espaço para a partilha de experiências de Angola, da Serra Leoa e da África do Sul sobre as lições tiradas dos processos de paz e reconciliação conduzidos nos respectivos países.

A experiência de Angola, de acordo com a nota, foi apresentada pelo embaixador Miguel Bembe, representante permanente junto da União Africana.

4.ª edição da Bienal de Luanda acontece em Outubro deste ano

O Presidente da República anunciou, na ocasião, a realização da 4.ª edição do Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não Violência em África, também conhecido por Bienal de Luanda, para o mês de Outubro deste ano, com uma participação activa das mulheres e dos jovens.

A Bienal de Luanda, organizada conjuntamente pelo Governo angolano, a União Africana e a UNESCO, é, tal como sublinhou o Presidente João Lourenço, mais do que um evento.

“É um espaço onde os jovens podem expressar as suas aspirações, onde as mulheres podem partilhar as suas experiências de mediação e reconstrução e onde as nossas sociedades podem aprender a transformar as diferenças em mecanismos propulsores do entendimento, da concórdia, da democracia, da paz e do desenvolvimento”, frisou o Chefe de Estado.

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