NO RANGEL: O POVO VIU BILHAS SOB O OLHAR CÚMPLICE DO IGAE

O que aconteceu no Rangel é uma demonstração clara de como se abusa da paciência de um povo.
Uma escola que apenas necessitava de obras de melhoria foi entregue a alguns “chicos-espertos” com os olhos postos no dinheiro do PIIM — dinheiro público, tal como o do PIP, supostamente destinado ao combate à pobreza. Esses indivíduos, depois de apanharem alguns biscates, criaram à pressa uma empresa de construção, provavelmente sem concurso público, e decidiram deitar abaixo as paredes da escola.
O resultado é conhecido: receberam o dinheiro, abandonaram a obra, desapareceram com parte dos materiais de construção e, como cantou o músico, “o bom povo fica a sofrer, o iluminado do cafocolo é…”.
Aqui, tudo indica que o crime compensa. Eis um exemplo gritante da tão proclamada luta contra a impunidade no cafrique.
Já lá vão mais de seis anos desde que a Escola do Soeiro, na Rua Quinze, na Comissão do Rangel, se encontra desativada. Mais de três mil alunos ficaram fora do sistema de ensino, assim como dezenas de professores, técnicos administrativos, seguranças e funcionárias de limpeza. Nem o actual administrador municipal, Lourenço, sonhava encontrar tal situação no Rangel.
As informações mais recentes, recolhidas junto de moradores da zona, indicam que o espaço da escola caminha perigosamente para se transformar num esconderijo de delinquentes, consumidores de drogas e liamba, e até num possível prostíbulo. Os empreiteiros, esses, já pagaram as suas imbambas e desapareceram, leves como o vento.
Alguém tem de advogar por esta escola. E não vale a pena partidarizar ou politizar este texto. É puro e real e não rosto político- partidário.
O povo precisa de um defensor, porque continua actual um dos compromissos mais importantes do Estado: “resolver os problemas do povo”.
Esta obra era da responsabilidade da extinta Comissão Administrativa da Cidade de Luanda. Já foi visitada por vários governadores e governadoras que passaram pela capital — desde Luna Chantal a Joana Lina, incluindo o dinâmico Manuel Homem, que viu fumo. O actual governador provincial de Luanda, Luís Nunes, provavelmente nem faz ideia de que esta escola existe.
Tudo indica que todos foram bem fintados. Inclusive o próprio IGAE.
É penoso, hoje, ver uma escola que precisava apenas de pequenas melhorias completamente no chão, com paredes que não passam da primeira fiada. Nota-se também a total falta de comunicação entre a Administração Municipal do Rangel e a Comissão de Moradores do Bairro Ordenador do Rangel. Quando isso não acontece, a especulação ganha força.
Este apelo da comunidade do Rangel deve soar como um clamor e um alerta aos nossos dirigentes que, superiormente, se esforçam para resolver os problemas básicos e essenciais das populações, mas que, nos níveis mais baixos, encontram pessoas a remar em sentido contrário, num claro sinal de desalinhamento.
Vamos partilhar este texto até chegar ao Presidente da República, João Lourenço, que, tudo indica, também está a ser enganado neste particular.
Por José Cabanga do Rangel
