TRABALHADOR MORRE NA EMPRESA CHINESA GHCB ANGOLA S.A E EMPRESA DESAFIA A JUSTIÇA ANGOLANA

Um trabalhador angolano de 36 anos de idade, identificado como Pedro Domingos, perdeu a vida no estaleiro da empresa chinesa GHCB Angola S.A., localizado no município do Dondo, província do Kwanza Norte, em circunstâncias consideradas graves e pouco esclarecidas. O óbito ocorreu no dia 10 de dezembro, mas o corpo só foi retirado do local no dia 11, segundo relatos recolhidos no local.
PORTAL O LADRÃO
De acordo com informações apuradas, a empresa não comunicou oficialmente a família sobre a morte do trabalhador. Os familiares apenas tomaram conhecimento do falecimento depois de um sobrinho ter ligado para o número de telemóvel do malogrado, sendo atendido por um colega de trabalho que informou que o proprietário do telefone já se encontrava morto.
Perante o silêncio da empresa, hoje , 16/12/2025 uma equipa de defensores dos direitos humanos acompanhou a família até à sede da empresa-mãe da GHCB Angola S.A., situada no Km 28, província do Icolo e Bengo, com o objetivo de obter esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte e exigir responsabilidade.
Durante o encontro, a empresa limitou-se a afirmar que se tratou de um acidente de trabalho, sem apresentar qualquer relatório técnico, auto de ocorrência ou documentação oficial que sustentasse a versão apresentada. Questionada sobre a assunção de responsabilidades, a administração terá declarado que não se tratava do primeiro caso de morte envolvendo trabalhadores, acrescentando que, em situações anteriores, a empresa costuma entregar valores entre 200 mil e 250 mil kwanzas, “caso a família aceite”.
Representantes da empresa foram ainda mais longe ao afirmar que “Angola não tem eficiência jurídica”, sugerindo que a família poderia apresentar queixa “onde quisesse”, pois “nada iria acontecer” declarações que configuram um grave desrespeito pelas leis nacionais, pelas instituições do Estado angolano e pelos direitos humanos.
Informações adicionais indicam que, no momento do acidente, operadores de máquinas encontravam-se em greve devido à falta de pagamento de salários. Em consequência, a empresa teria colocado um trabalhador não habilitado a operar uma máquina pesada. Foi nessa circunstância que a pá de uma escavadora atingiu mortalmente o camionista Pedro Domingos.
Após a intervenção da família e dos defensores dos direitos humanos, a empresa comprometeu-se a disponibilizar 500 mil kwanzas à família da vítima. O valor é considerado manifestamente insuficiente face à perda de uma vida humana, às alegações de negligência grave e às obrigações legais decorrentes de um acidente de trabalho mortal.
O caso levanta sérias preocupações sobre as condições de segurança no trabalho, a proteção dos trabalhadores angolanos, e a alegada impunidade de empresas estrangeiras que operam no país. Os defensores dos direitos humanos apelam às autoridades competentes nomeadamente a Inspeção Geral do Trabalho, o Ministério Público e os órgãos de justiça para que seja aberta uma investigação independente, célere e transparente, que permita o apuramento da verdade, a responsabilização dos envolvidos e a reparação justa à família de Pedro Domingos.
