PILHAGEM DE MILHÕES NA ADMINISTRAÇÃO DO RANGEL COM PREÇÕES DIGITAIS DE ISAÍAS KALUNGA E LOURENÇO NETO

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Dono da empresa L.JIR – Prestação de Serviços, Lda: Quanto lucra Isaías Kalunga com o negócio da publicidade no município do Rangel? Administrador do Rangel remete-se ao silêncio “cúmplice”

Uma investigação conduzida pelo Jornal Na Mira do Crime, junto da Administração Municipal do Rangel, na província de Luanda, levanta fortes suspeitas sobre a forma como é gerido o negócio de publicidade em painéis e outras formas na via pública, que gera milhões e milhões de kwanzas, estando sob gerência de uma empresa identificada como L.JIR – Prestação de Serviços, Lda, que tem a testa o Presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), Isaías Domingos da Cunha Mateus, ou simplesmente “Isaías Kalunga”.

Durante aproximadamente três semanas, o Na Mira do Crime  teve contacto com vários documentos que atestam o pagamento na referida empresa por parte da Administração Municipal do Rangel, liderada por Lourenço Luís Domingos, de 42 anos de idade, que também é primeiro secretário do MPLA no município, proveniente da província da Lunda-Norte.

Os parâmetros da contratação da referida empresa para gerir o negócio da publicidade no referido município não foram esclarecidos, mesmo depois de várias tentativas deste jornal junto do ente-público.

No entanto, a proximidade entre o responsável da empresa, no caso Isaías Kalunga e o administrador municipal, Lourenço, deixa escapar sérias perguntas e sobre eventuais favorecimentos, já que, há até há pouco tempo Lourenço era primeiro secretário do MPLA no antigo município de Luanda, e Isaías Kalunga (já) liderava o CNJ, tendo como principal parceiro e aliado o actual administrador do Rangel.

Sendo a empresa L.JIR – Prestação de Serviços, Lda. a principal e única responsável pela gestão dos espaços publicitários locais, denotando ausência de concorrência, uma consulta rápida ao Guiné Único revela que, para além de Kalunga, no caso Isaías Domingos da Cunha Mateus, sócio maioritário, estão ainda como sócios da empresa Isander Isaías Contreiras Mateus e Ruth Gerusa Contreiras Mateus.

Já que para gerir o negócio do Estado a referida empresa é obrigada a passar pela lei da contratação pública

Num país onde a Lei dos Contratos Públicos impõe regras claras — como a obrigatoriedade de concursos públicos, transparência e igualdade de acesso —, a situação no Rangel levanta questões inevitáveis:

              1- Quem autorizou a actuação exclusiva desta empresa no município?

Quanto dinheiro público está a ser canalizado para esta entidade?

2- Houve concurso público ou trata-se de uma adjudicação directa?

3- Quem fiscaliza este processo?

Estas questões o Jornal Na Mira do Crime tentou de várias formas saber, mas, nas terras de “Lourenço do Rangel” reina o silêncio absoluto.

A contratação em empresas públicas angolanas é regida pela Lei dos contratos públicos, que impõe concursos públicos para garantir transparência, igualdade e prioridade às empresas nacionais.

A Lei n.º 41/20, de 23 de dezembro, é o atual regime jurídico da contratação pública em Angola, revogando a Lei n.º 9/16. Ela rege a formação e execução de contratos de empreitada, aquisição de bens e serviços, visando transparência, eficiência, combate à corrupção e aumento da participação local.

Os documentos consultados pelo Na Mira atestam que, mensalmente a referida empresa recebe com o negócio cerca de 2 milhões e 500 mil kwanzas,  dos quais 50 por cento entra para as contas da empresa L.JIR – Prestação de Serviços, Lda.

No mês de Dezembro de 2025, por exemplo, a referida empresa recolheu 2 milhões 485 mil e 09 kwanzas.

Na fatura que deu entrada no dia 13 de Março do ano em curso, a empresa de Kalunga cobra os seus 1 milhão 242 mil e 504, 5 kwanzas, que devem ser canalizados para conta e IBAN seguintes:

Conta nº:  269547981.10.001 L.JIR  Prestação de serviços – IBAN:AO06.0040.0000.6954.7981.1016.6

Após várias facturas consultadas, no dia 17 de Março do ano em curso, este jornal formalizou um pedido de esclarecimento junto da Administração Municipal do Rangel, pelo que, passados mais de 10 dias, até ao fecho desta matéria, nenhuma resposta foi apresentada.

Contactado, o administrador municipal, Lourenço Domingos, remeteu-se ao silêncio.

Já a directora do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa da Administração do Município  do Rangel, Angelina Silveiro João, chegou a acusar recepção, prometendo um posicionamento que nunca chegou.

Fonte local diz que a responsável trabalha de forma remota, por estar há alguns meses no exterior do país.

Por via telefónica, o Na Mira tentou contacto com Isaías Kalunga, mas sem sucesso.

A falta de respostas por parte das entidades competentes não só agrava as suspeitas, como levanta sérias preocupações sobre a transparência na gestão de recursos públicos no município.

Num contexto em que o país reforça discursos contra a corrupção e má gestão, casos como este colocam em causa a credibilidade das instituições e exigem esclarecimentos urgentes.

Recentemente, em entrevista ao Jornal de Angola, o director nacional para a Publicidade, do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, informou que regista-se a usurpação de competências por parte de algumas administrações e uma vasta lista de irregularidades que afecta o sector.

Ao citar dados da Marktest, referiu que o sector movimentou 2019 22 mil milhões de kwanzas e mais 18 mil milhões de publicidade exterior. Pouco ou muito, segundo o responsável, é possível arrecadar muito mais e criar vários postos de trabalho.

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