MPLA AVESSO À PLURALIDADE CONSENSUAL, À CONCILIAÇÃO E À PAZ

24 anos depois, a ingenuidade continua a calcorrear a geografia mental de milhões de autóctones angolanos, que acreditaram na capacidade do MPLA regenerar-se. Verdadeiro engano. Por durante três dias, o lobo não comer galinhas, não significa ter virado vegetariano, ao ponto de ser nomeado chefe do galinheiro. Ele apenas fez uma pausa no “modus operandi”.
WILLIAM TONET
OMPLA mostra ao longo dos anos a veia discriminatória que ilumina o seu sistema de monarquia partidocrata, objecto fundante de uma acção, actuação e visão monocrática, na condução dos destinos do país.
O regime é avesso ao estabelecimento de pontes com os contrários e a sociedade civil.
Em Abril de 2026, ficou uma vez mais cunhada essa esdrúxula petulância ao abalroar o outro signatário do 04 de Abril: UNITA, no programa das comemorações, colocando-o no andar debaixo, como mero convidado.
Tivesse higiene intelectual, não açambarcaria a humildade. Colocaria no programa Adalberto Costa Júnior, presidente do maior partido da oposição ou, na impossibilidade, um intelectual ou religioso de reputação ilibada, para presidir ao 24.º aniversário do “Calar das Armas” (Paz). Mas não tem cultura plural!
Comemorará sozinho! Achando-se divino.
Para nossa desgraça colectiva, destapa a cada acto, a natureza perversa, que caracteriza a dita (des)reconciliação.
DO PASSADO AO PRESENTE
OMPLA adepto fervoroso do unanimismo, esqueceu-se de ter rubricado um acordo, à quatro mãos, entre militares beligerantes, que serviu apenas para o calar das armas. Não para a PAZ! Não havia cultura. Não há cultura! A paz, não se resume a um simples texto, evocado por uma das partes. Ela é uma semente que deve ser regada, tratada, regular e consensualmente.
Infelizmente, a máquina não anda nessa direcção, porquanto um dos dois subscritores, exalta vaidades umbilicais de vitória, alicerçada na morte de Jonas Savimbi, líder da UNITA!
Aliado ao controlo absoluto dos órgãos de soberania, colocam o adversário num papel secundário. Estes, rejeitando a submissão, adoptam, sub-repticiamente, uma estratégia de contenção, na única instituição, onde têm assento: Assembleia Nacional.
Mas, os dois polos extremados são uma barreira intransponível no caminho da tão almejada conciliação e reconciliação.
Daí que esta data, pouco ou nada represente para normalizar as relações de tensão, entre os outrora, militarmente desavindos. Hoje estão politicamente distanciados, quer pelo desvario na gestão da “coisa pública”, assente na ladroagem institucional e corrupção extrema, como na não adesão a clemência.
Nessa caminhada, a maturidade continua atolada no fundo do poço.
O Titular do Poder Executivo (JLO) é incapaz de aromar uma data como o 4 de Abril, amadurecendo assim a suspeição de estar distante um abraço público com o líder da oposição (ACJ).
Se fosse materializado, seria uma forte mensagem de pacificação e enterro definitivo do pensamento de uma nova confrontação bélica.
A situação económica, os altos índices de pobreza, a perseguição aos jornalistas, os assassinatos de intelectuais e adversários políticos, mostram existir um clima de tensão no ar. Capaz de explodir a qualquer momento.
O MPLA considera-se dono do país. E, para isso, não tem prurido, em falsear, distorcer, adulterar, aprisionar e assassinar… também, datas históricas.
O MPLA transformou a PAZ em PÁ, enterrando e algemando sonhos de milhões, por um país melhor.
CONFERÊNCIA GEOFAZDECONTA
Em 2026 a Casa Militar da Presidência da República gastou milhões para organizar uma Conferência de Paz e Reconciliação Nacional. Com três painéis e igual número de prelectores estrangeiros, debateram no 2 de Abril:
a) Direito Internacional; b) Conflitos Híbridos; c) Análise Estratégica.
Esperava-se um conclave aberto, numa aliança com experts, académicos, estudantes e inventores, principalmente dos cursos de engenharia e medicina.
Era preciso coordenar a geoestratégica nacional, regional, africana e internacional.
Como Luanda, por exemplo, se poderá defender de um ataque, com aviões difíceis de captação? Onde e quais radares deve o país ter? Os velhos radares gigantes do século XX, visíveis a 2 mil metros, ainda ligados ao satélite americano?
Quais devem ser os radares e o sistema de comunicações, adaptados às novas realidades da guerra? Deverão ser implantados radares, camuflados entre os prédios?
Como num corte de abastecimento de combustível, por encerramento das plataformas, operadas por empresas ocidentais, Angola poderá resistir?
Os generais angolanos deveriam estar preocupados e colocar questões aos prelectores sobre o novo ramo das forças armadas: o exército dos drones. Qual o investimento, para a construção de uma fábrica?
Onde a mesma deve ser colocada, entre as muitas montanhas abaixo do solo ou na superfície?
Como as universidades podem servir de campo de recrutamento de jovens para operar os drones, como estão a fazer a maioria dos países.
Mais, nesta conferência deveria constar para análise questões de futuro, Angola poderia, com base no Conflito no Médio Oriente e o fecho do Estreito de Ormuz, conclamar a Guiné Equatorial e a Nigéria, para a criação, entre os três, de um ARPA (Associação de Reserva de Petróleo Africano), para fornecer aos países da região austral e continentais em fase de crises.
Infelizmente, nada disso está projectado, logo, uma vez mais, vai o MPLA sozinho, falar de uma paz frágil.
