SOBAS DO MOXICO DENUNCIAM EXPLORAÇÃO ILEGAL DE RECURSOS E DIZEM VIVER COM “SUBSÍDIOS MISERÁVEIS”

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Autoridades tradicionais na provincia ado Moxico, leste do pais, denunciaram hoje a desmatação abusiva de florestas e a exploração desenfreada de recursos naturais na região e lamentaram o “subsidio miserável que ganham por mës.

PORTAL O LADRÃO

A situação das autoridades do poder tradicional e a condição social e económica da provincia angolana do Moxico foi apresentada hoje aos deputados do grupo parlamentar da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA, maior partido na oposição) durante uma visita de cortesia aos sobas do Luena, capital da província.

O regedor do Moxico, Dias Ezequiel Domingos, em diálogo com os deputados da UNITA, que se encontram no Luena para participarem, quarta-feira, nas suas XIII Jornadas Parlamentares, lamentou a situação social e económica da provincia e as condições de vida dos sobas.

Segundo Dias Ezequiel Domingos, as autoridades tradicionais na provincia, entre sobas, regedores e secretários, auferem “subsidios miseráveis”, que variam entre os 14 e os 22 mil kwanzas (entre 13 e 20 euros), “Insuficientes para as necessidades junto da familia.

“É necessário o aumento de subsidios, porque nós não temos salários, temos apenas subsidios e que não servem para nada”, lamentou durante o encontro com os deputados da UNITA que participam nas XIII

Jornadas Parlamentares que abrem oficialmente na quarta-feira.

O regedor denunciou também que a província do Moxico regista uma exploração desenfreada de recursos minerais, como uranio e terras raras, e a desmatação “abusiva” de florestas da região, alegadamente por cidadãos asiáticos.

De acordo com Ezequiel Domingos, a exploração dos referidos recursos é frequentemente feita ao arrepio da lei e em “desrespeito às autoridades tradicionais, “muitas vezes ameaçadas” quando questionam as razões e os promotores desta prática.

“Os sobas quando intervëm muitas vezes são ameaçados”, relatou, sublinhando que muitos recursos da região são “desviados”, sobretudo em camiões que apenas circulam à meia-noite na provincia.

O responsável do poder tradicional exortou os deputados a defenderem na Assembleia Nacional a causa do povo, o interesse da mulher e da criança e não os seus interesses pessoais, pedindo ainda a promoção de debates parlamentares em línguas nacionais.

Por outro lado, salientou que os sobas querem uma representação do poder tradicional no parlamento para defender os seus interesses.

“Porque estamos sem voz nas instituições ou encontros governamentais, onde somos sempre colocados nas cadeiras de trás e sem direito a palavra”, desabafou o regedor.

A presidente do grupo parlamentar da UNITA, Albertina Ngolo, que chefiou a delegação de deputados neste encontro, disse que o contacto com as autoridades tradicionais visou “pedir a bênção para que as jornadas parlamentares decorram na normalidade.

A deputada afirmou que a inclusão e a distribuição equitativa da riqueza no país constam da agenda das jornadas, e, por outro lado, reconheceu que as autoridades tradicionais precisam de um estatuto especial, “incluindo um estatuto remuneratório e não um subsidio qualquer”.

Segundo Albertina Ngolo, as preocupações dos sobas vão constar de projetos de lei de iniciativa da UNITA, que serão remetidos ao parlamento, nomeadamente sobre a introdução das linguas locais nos debates, salvaguarda dos direitos da terra, insistindo na necessidade de o país avançar para as autarquias locais.

Para além das jornadas parlamentares, que encerram na quinta-feira, a UNITA criada em 13 de março de 1966-celebra igualmente no Moxico os 60 anos da sua fundação com uma romaria a Muangai, na sexta-feira, e um comicio no Luena, no sábado, que será orientado pelo presidente do partido, Adalberto Costa Júnior.

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