“ANATA DESAFIA MPLA E UNITA E AMEAÇA TRAVAR ANGOLA COM PARALISAÇÃO DOS TAXISTAS”

O presidente da ANATA, Rodrigo Catimba, endureceu o tom do discurso e lançou um aviso direto às forças políticas angolanas, afirmando que a classe não aceitará ser instrumentalizada no confronto entre o MPLA e a UNITA — e que poderá avançar para uma paralisação nacional caso continue a ser ignorada.
PORTAL O LADRÃO
“Não estamos interessados em participar naquilo que temos assistido”, declarou Catimba, numa crítica aberta ao ambiente político atual. O líder associativo foi mais longe ao afirmar que os taxistas rejeitam qualquer tentativa de serem “arrolados” ou associados às disputas entre os dois maiores partidos, assumindo uma posição de ruptura com o que descreve como jogos de interesse que não respondem às necessidades reais da classe.
Num tom de advertência, o presidente da ANATA deixou claro que a falta de diálogo poderá ter consequências diretas no funcionamento do país. “Se tiver que parar o nosso trabalho, nós paramos”, afirmou, sublinhando que os taxistas não temem enfrentar o Governo nem os desafios que daí possam resultar. A ameaça de paralisação levanta preocupações quanto ao impacto na mobilidade urbana e na atividade económica, fortemente dependente do setor.
Catimba defendeu que qualquer medida governamental dirigida aos taxistas deve obrigatoriamente passar por um processo de consulta e negociação. Caso contrário, alertou, o cenário será inevitavelmente de confronto. “Quando não há diálogo, há choque”, frisou, apontando para um clima de tensão crescente entre a classe e as autoridades.
O responsável rejeitou ainda as acusações recorrentes que associam os taxistas a atos de vandalismo durante períodos de protesto. Segundo explicou, muitos desses episódios são protagonizados por grupos alheios à classe, que acabam por manchar a sua imagem pública. “Nós não somos arruaceiros nem vândalos. Saímos da via e ficamos em casa, mas depois surgem outros e a culpa recai sobre nós”, denunciou.
Apesar do tom combativo, Catimba procurou também dirigir-se aos próprios profissionais do setor, apelando a uma mudança de comportamento e a um maior sentido de responsabilidade. Defendeu mais disciplina, respeito pelos passageiros e cumprimento das regras, como forma de reforçar a credibilidade da classe junto da sociedade.
Ainda assim, o recado principal foi dirigido ao poder político: os taxistas exigem reconhecimento, condições dignas e, sobretudo, voz nas decisões que afetam diretamente o seu trabalho. Caso contrário, garantem, não hesitarão em recorrer à paralisação — um cenário que poderá colocar pressão significativa sobre o país.
