EMISSÁRIOS PRESSIONAM HIGINO CARNEIRO A NÃO CONCORRER COM JOÃO LOURENÇO

0

Altos quadros do regime angolano, próximos do círculo presidencial, têm sido recorrentemente apontados como estando a exercer pressão sobre o general Francisco Higino Carneiro para que abdique da intenção de se candidatar à presidência do MPLA, no próximo congresso ordinário do partido, previsto ainda para este ano.

LOURENÇO TEME CONGRESSO DE MULTIPLAS CANDIDATURAS

Duas individualidades ligadas ao gabinete presidencial terão aderido a esta ofensiva política, reforçando a percepção de que se trata de uma acção coordenada e orientada a partir dos mais altos níveis da estrutura partidária. Até ao momento, o actor mais visível destas investidas tem sido o antigo secretário-geral do MPLA, Álvaro Boavida Neto, que, após uma reaproximação política ao Presidente do partido, João Manuel Gonçalves Lourenço, assumiu um papel activo na tentativa de afastar Higino Carneiro da corrida interna.

Fontes consultadas pelo Club-K com conhecimento do processo descrevem as investidas de Álvaro Boavida Neto como uma forma de gratificação política a João Lourenço, num contexto em que o antigo dirigente enfrentou graves problemas de saúde que terão merecido pronta e abrangente intervenção do Estado, incluindo apoio institucional e logístico ao mais alto nível.

Apesar das pressões, Higino Carneiro mantém-se firme. Interlocutores próximos do general indicam que este se considera plenamente legitimado, à luz dos estatutos do MPLA e da Constituição da República, para disputar a liderança do partido, recusando abdicar por via de constrangimentos informais ou pressões políticas externas ao processo estatutário.

O congresso do MPLA, cuja realização está prevista para Julho ou Dezembro, poderá registar mais do que uma candidatura. Para além de Higino Carneiro, António Venâncio volta a posicionar-se como concorrente, numa segunda tentativa de disputar a liderança partidária. Já António Pitra Neto, antigo vice-presidente do MPLA e outrora apontado como potencial sucessor de José Eduardo dos Santos, tem sido instado a regressar à disputa interna, mas tem recusado, atitude interpretada por observadores como receio de retaliações políticas e institucionais por parte da actual direcção.

Este padrão de controlo terá sido previamente ensaiado no congresso da Organização da Mulher Angolana (OMA), onde duas candidatas consideradas independentes foram afastadas, abrindo caminho à vitória da candidata identificada como favorita da direcção do partido. O afastamento de Graciete Dombolo Sungua surge como o caso mais emblemático, numa fase em que se antecipava que uma eventual vitória sua poderia comprometer o controlo da liderança do MPLA sobre as estruturas da OMA, particularmente no contexto das conferências de renovação de mandatos que antecedem o congresso do partido.

Observadores consideram que João Lourenço pretende garantir um congresso rigidamente controlado, assegurando uma direcção partidária alinhada com os seus interesses estratégicos. O objectivo central será preservar a capacidade de definir, sem contestação interna significativa, o cabeça de lista do MPLA às eleições gerais de 2027.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *